Os Paradoxos da Tomada de Decisão Racional
A palestra “Trocas altruístas num mundo competitivo”, dinamizada pelo Prof. Dr. Adérito Araújo, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, no dia 17 de maio, pelas 10h30min, foi a oportunidade para apresentar os alunos da Escola Secundária Dr. Bernardino Machado (Agrupamento de Escolas Figueira Mar) a teoria dos jogos, uma área de imensa aplicação na vida real, em áreas tão diversas como a psicologia, a biologia, a economia, a ciência política e a ética.
A teoria dos jogos estuda a tomada de decisão interativa, onde o resultado para cada participante ou “jogador” depende das ações de todos. Todo o jogador deste tipo de jogo, ao escolher o seu curso de ação ou “estratégia”, tem sempre de levar em consideração as escolhas dos outros, especialmente quando a tomada de decisão racional ocorre em condições de incerteza e, sobretudo, de incerteza competitiva, o que levanta questões de eficiência e de justiça.
Partindo do dilema dos prisioneiros, um exemplo clássico da teoria dos jogos, o Prof. Dr. Adérito Araújo, provou com a crueza dos números que a mera cooperação, de um ponto de vista egoísta, nem sempre é do interesse de cada um dos jogadores, abrindo a porta a duas soluções principais, a saber: a) a introdução da repetição, para que, quando o jogador X observar a batota do jogador Y hoje, possa punir o jogador Y amanhã; ou b) a introdução de um terceiro jogador que impõe o bom comportamento ao exercer a capacidade de punir os batoteiros.
No final da palestra ficou claro que, do ponto de vista de um jogador racional, particularmente no caso do conflito intergeracional presente no problema mais amplo das alterações climáticas, é demasiado arriscado para as gerações atuais sacrificarem-se para o bem-estar das gerações futuras. Mas isso não significa que seja justo, pois não?
Esta atividade foi organizada pelos grupos de Filosofia e Matemática e decorreu no Auditório Afonso Ernesto de Barro – MOF.