Óscar ou o Vínculo da Vida e da Morte
Um dos maiores e mais misteriosos acontecimentos da vida é a morte, a eterna demanda da mente humana. Na literatura contemporânea, muitos autores tentam escapar à morte. Mas a abordagem de Eric-Emmanuel Schmitt, escritor francês contemporâneo, dado o grande número das suas obras com esta temática, definitivamente não é essa. Pela sua mão, a morte não tem uma face horrível e o ser humano deve aceitá-la como uma realidade da vida.
Em “Óscar e a Senhora Cor-de-rosa” encontramos a história de uma criança doente que está à beira da morte, mas Schmitt, ciente do impacto da imaginação com aspetos simbólicos na mente da criança e na profundidade do espírito humano, cria um mundo mais imaginário do que realista. Os elementos psicológicos e psicanalíticos de “Óscar e a Senhora Cor-de-rosa” obrigam-nos a procurar os elementos mais eficientes para aceitar a morte. Para isso, as personagens são divididas em duas categorias: as que “aceitam a morte” e as que “fogem da morte”. E o diálogo intertextual entre Óscar e a Vovó Rosa, frequentemente com frases deliberadamente infantis, serve para nos colocar perante uma noção de morte como um processo biológico, natural, palpável e compreensível.
No Dia Mundial da Criança, 1 de junho, pelas 21:30 horas, no palco do Teatro Caras Direitas, o Óscar do Agrupamento de Escolas Figueira Mar foi muitos Óscares. Foi o Afonso, a Ana Rita, a Ayana, a Beatriz, a Catarina, a Clara, a Cristina, a Daniela, a Elisa, o Endryus, a Estella, o Francisco, a Inês, a Íris, a Kelly, a Liuba, a Maria Eduarda, o Miguel, o Nuno, o Rafael, o Samuel, a Tatiana Espada, a Tatiana Silva, a Valentina e a Vânia., A Vovó Rosa foi a Sónia. A mãe foi a Odete. O Vítor foi o Dr. Düsseldorf e o pai. No som e na luz, esteve o Danilo (aquele abraço!). A assistir aos Óscares do AEFM esteve uma comunidade comovida e provocada porque a forma direta de Óscar falar sobre a morte apanha qualquer adulto desprevenido, mas isso é necessário para contemplar e esperançosamente aceitar a realidade da morte. Afinal é no mundo da imaginação que os sonhos se personificam. Assim que a Vovó Rosa sabe da doença incurável de Óscar e da sua morte iminente, quebra as suas rotinas de lugar-tempo, aplicando a faculdade da imaginação. Depois mistura infância, juventude e velhice em dez cartas. E é assim que se mostra que a imaginação é um bem valioso.
“Por poder ser/ Por haver ser”, obrigado a todos os Óscares do AEFM!
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