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logo pna pretoPlano Nacional das Artes – dezembro 2024

 

 

Servir a vida

No final de mais um ano – em que fechámos o primeiro ciclo de cinco anos do Plano – e quase a iniciar um novo ano – em que continuaremos a implementar a nova estratégia para os próximos cinco anos –, é importante retomar uma pergunta essencial: como podem as instituições servir a vida?
Uma resposta possível que não nos cansamos de propor e que temos como farol para o nós próprios no Plano: temos de transformar as instituições em extituições. Lugares sem muros, de colaboração, de abertura ao diferente, aos outros, aos excluídos, às margens – de onde podem vir as propostas inovadoras e inesperadas de transformação dos (pretensos) centros. Lugares onde a vida, na sua plasticidade, diversidade e fecundidade se manifesta. Lugares de serviço, num movimento de saída de si mesmos. Para isso, tantas vezes temos de desaprender: os nossos hábitos, certezas e preconceitos enraizados exigem uma aprendizagem de desaprender (Alberto Caeiro). Não é espontâneo nem rápido, nunca está terminado. Por exemplo, e de forma muito prática: em vez de “fazer para” (com boas intenções), “trabalhar com” (sem menorização dos outros). Partilhar o poder que cada um de nós tem, maior ou menor. 
A cultura, a ciência e o conhecimento não são uma certeza assegurada e imóvel que uns (senhores da Verdade) devem apenas passar, já realizada, a outros (meros consumidores). São tarefa infinita, construção interminada, processo de diálogo intergeracional, intercultural, de criação de sentido em comum. Implica escuta e participação. Luta e resistência. Conflito e negociação. Ou seja: promoção de cidadania. De democracia. Só assim as instituições conseguirão ajudar a indestinar a vida dos cidadãos, contrariar as condições e constrangimentos sociais, familiares, económicos, culturais, que cada um de nós transporta - e assim dilatar o seu mundo, o seu horizonte, com possibilidades de si que nem sabia que tinha. Uma forma de servir a vida que renasce no espanto.
“Nunca nascemos o suficiente”, escreveu E.E.Cummings. Precisamos de instituições que nos ajudem a nascer. 
Paulo Pires do Vale

CURSO
Mediação Cultural e Artística 

No dia 23 de dezembro, abrem as candidaturas para a 1.ª edição do Curso de Mediação Cultural e Artística, promovido pelo Plano Nacional das Artes (PNA) em colaboração com o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e a Direção-Geral das Artes (dgARTES). O curso de 120 horas, com 12 de mentoria individual, decorrerá de março a julho do próximo ano e destaca-se pela abordagem imersiva e pelo desenvolvimento de projetos. O financiamento do curso é assegurado integralmente pelo PNA e pela dgARTES. O prazo das candidaturas termina a 20 de janeiro de 2025.
Destinado a agentes culturais ativos, especialmente técnicos de autarquias e de instituições culturais e artísticas credenciadas nas Redes (Museus, Bibliotecas, Teatros e Cineteatros, Cineclubes, Arte Contemporânea), o curso (em Regime B-learning) inclui sessões presenciais e online, além de um projeto individual, e apresenta um quadro teórico e prático capaz de problematizar as questões que se impõem no âmbito do impacto da mediação cultural e artística na sociedade, tendo em vista a promoção da educação ao longo da vida e a valorização das artes e dos patrimónios nas vidas dos cidadãos.
Os objetivos abrangem a promoção da formação contínua de profissionais, a constituição de um referencial conceptual e de boas práticas partilhado e a promoção de sinergias entre instituições culturais.
A iniciativa representa um passo crucial para a formação das equipas das Redes, contribuindo para a coesão territorial em Portugal. O planeamento e a implementação da 1.ª edição ficam a cargo do IPL e do PNA, com a colaboração da dgARTES e com a coordenação técnica e científica da Cátedra UNESCO em Gestão das Artes e da Cultura, Cidades e Criatividade do IPL.
A partir do dia 23 de dezembro, consulte o Regulamento e o Edital no portal IPL.

MOCHILA CULTURAL
Chapitô: um mundo a fazer escola em casa

Em janeiro vamos de “Mochila” às costas até à tenda do Chapitô! É já no ano novo, dia 9 de janeiro, a partir das 15h30. A Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo do Chapitô (EPAOE), que forma profissionais ligados às artes circenses, chegará à tenda determinada a apresentar-se no seu próprio idioma. Preparou-se uma viagem ao centro da Escola de Circo do Chapitô, de modo a observar de perto essa missão de ser casa, escola, circo e um lugar num mundo em que todos têm lugar.
Partindo de uma curta-metragem, seguida de debate, estaremos de malas prontas para vos acompanhar numa viagem polifónica por uma escola que é também um projeto social, cultural e educativo, comprometido com os princípios da equidade, justiça e inclusão social. Tudo isto será mostrado, testemunhado, narrado com aquela magia do circo que, afinal, até consegue fazer de uma escola uma casa.
Assista aqui.

ENCONTRO
Escola do Porto Santo

Na Escola do Porto Santo*, nos últimos dias de novembro, organizada pela Porta 33, com a parceria do Plano Nacional das Artes, reuniu-se um grupo de artistas, arquitetos e educadores para uma residência de pensamento. Esta iniciativa teve como objetivo propor um programa de ações diversificadas para o biénio 2025-2026, envolvendo a comunidade porto-santense.
No dia 29 de novembro, decorreu uma apresentação do Plano Nacional das Artes na Escola Básica e Secundária Professor Dr. Francisco de Freitas Branco, orientada por Paulo Pires do Vale e Maria Emanuel Albergaria. A sessão contou com a participação de alunos e professores desta escola, localizada na ilha de Porto Santo.
 
*A Escola do Porto Santo é uma escola primária projetada pelo arquiteto Raul Chorão Ramalho (1914-2002) nos anos 60 do século XX. Este edifício modernista apresenta uma conceção inovadora dos espaços educativos, onde cada sala de aula dispõe de um espaço ao ar livre, adaptando-se às características da ilha de Porto Santo.

ENTREVISTA
Forças combinadas com Teresa Ricou

“Enquanto disciplina das artes circenses, as forças combinadas pressupõem um exercício cooperativo de destreza e força, a conjugação dinâmica das forças individuais e a busca incessante pela inovação, ousando desafiar as possibilidades instituídas. Este é um exercício diário de resiliência.”Leia a entrevista na íntegra.

Atividades desenvolvidas no âmbito do Plano Cultural de Escola.

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