A Voz das Mulheres
Dar voz a quem não tem voz ou a tem silenciada. Claro que o mundo não é igual em todo o lado e nascer Rafaela Cabete em Portugal não é a mesma coisa que nascer Mahsa Amini no Irão, nascer Sojourner Truth ontem não é a mesma coisa que nascer Beatriz Pires hoje. Todavia, não importam as conquistas já conquistadas, como afirmou assertivamente a Catarina Mota, do 11.º A, da Escola Secundária Dr. Bernardino Machado, em resposta a uma interpelação de uma voz do público que participava na tertúlia “A Voz das Mulheres”, dinamizada pelo Agrupamento de Escolas Figueira Mar, no Auditório Madalena Biscaia Perdigão (auditório do Museu Municipal), no dia 20 de maio, num sábado à tarde. Importa não esquecer que há sempre caminho para caminhar e as pedras, que são e continuarão a ser sempre muitas, estarão sempre lá porque o patriarcado, como asseguraram as mulheres convidadas, Adriana Bebiano (FLUC), Patrícia Jerónimo (Escola de Direito da UM) e Sofia Santos (FEUC), destacadas vozes femininas da Academia portuguesa, não é apenas um conceito complexo, mas uma realidade institucionalizada que oprime sempre que pode manifestando diretamente a sua matriz cultural e estruturalmente violenta sobre grupos e indivíduos.
Durante a tertúlia, as vozes e o olhar feminino e emancipadamente feminista das Professoras Adriana Bebiano, Patrícia Jerónimo e Sofia Santos sublinharam com tristeza a atualidade do conto “O Papel de Parede Amarelo”, de Charlotte Perkins Gilman, frequentemente citado como um dos primeiros trabalhos feministas que antecedem o direito de voto da mulher nos Estados Unidos. Era e continua a ser um instrumento necessário de denúncia e crítica social contra as condições de repressão e opressão feminina. Mas, há que assinalar, afirmaram o seu otimismo porque as mulheres mais novas de hoje já não se calam e muitas delas andam por aí, no espaço público, a combater com palavras e ações, de forma engajada, as raízes culturais e institucionais despudoradas dos dispositivos de poder de masculinidades nocivas que mais ou menos sub-repticiamente continuam a discriminar e diminuir o outro feminino ou o outro que projeta e defende novas masculinidades.
P.S.: Um agradecimento especial às Professoras Adriana Bebiano, Patrícia Jerónimo e Sofia Santos pela sua bonomia e repetida disponibilidade. Também às alunas e alunos do 11.º A e 11.º C. Obrigado à Ayana, Beatriz, Catarina, Eduarda, Estella, Isabella, Laura C, Laura S, Liuba e Rafaela pela “Oração de Graças”. Obrigado à Amanda, Ayana, Eduarda, Estella, Isabella e Yasmin pelo “Aviso da lua que menstrua”. Obrigado à Valentina pelo “Y Dios me hizo mujer”. Obrigado também às alunas e alunos do 6.º B, da Infante Dom Pedro, e à professora Ana Bela Cruz pelo “Pra todas as mulheres”. E finalmente um muito obrigado, Catarina, por tudo e tudo e tudo.